Há duas semanas, falámos nos estagiários que esta empresa usa para colmatar postos de trabalho. Agora, olhamos para outro tipo de “recrutamento” que a Veigas anuncia frequentemente, destinado a “directores comerciais”.
Procuram pessoas com experiência e oferecem «integração num projecto de sucesso comprovado» e a «possibilidade de criar e gerir» uma equipa própria, além de «formação especializada para o cargo, promovida pelo Instituto de Formação “Veigas”». Mas, no final do processo de selecção, não é uma oferta de emprego que espera os candidatos. «Como pensava reunir as condições exigidas, respondi ao anúncio, fui seleccionado para uma entrevista (foram quatro entrevistas, no total) e por fim explicaram-me que eu tinha que comprar o franchise para ter a minha loja e poder ser director comercial», indicou um dos candidatos à plataforma Ganhem Vergonha.
Falámos também com uma ex-estagiária da Veigas, que confirmou o método. «Cheguei a marcar entrevistas com pessoas que faziam 200 km. Chegavam aos escritórios e levavam com esta “tacada"».
A jovem revelou ainda que os funcionários tinham um procedimento a seguir quando alguém tocava à campainha. «Não podíamos abrir nem fazer barulho até se verificar quem era, pois podia ser a ACT e se a Veigas fosse multada… nós também seriamos». E deu um exemplo: «uma vez abri a porta ao carteiro e levei um raspanete de todo tamanho».
Esta licenciada trabalhou gratuitamente na empresa durante dois meses, até que desistiu. Nem as prometidas "ajudas de custo” recebeu. E afirma que, na entrevista, a responsável da imobiliária já a tinha avisado: «a melhor remuneração que temos não tem preço, que é o conhecimento e a experiência».
