Esta jovem empresa, que actua na área do imobiliário, anunciou que «está a oferecer um estágio não remunerado». O “presente” destina-se a pessoas ligadas ao audiovisual que estejam disponíveis para trabalhar, em part-time e de borla, durante um período de três a seis meses.
Entre outros requisitos, os candidatos devem possuir «experiência de trabalho em filmagens outdoor e edição de filme» e é indispensável que levem um computador portátil para o escritório (presumimos que o software de edição também esteja incluído).
No campo «privilégios», a Home Hunting indica que o estagiário poderá «descobrir a cidade de Lisboa, todos os bairros e as suas mais valias», terá a oportunidade de ajudar a empresa a crescer e irá alcançar muitas visualizações nos seus vídeos.
Para já, a empresa opera em Lisboa mas quer expandir-se para outras cidades no mundo.
Muitas universidades enviam e-mails com oportunidades de emprego ou de estágio para os seus actuais e antigos alunos. E, de acordo com várias denúncias que temos recebido, muitas vezes tratam-se apenas de ofertas de trabalho não remunerado ou precário. Aqui fica um exemplo, protagonizado pelo Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).
Hoje, a instituição enviou para os seus estudantes duas ofertas de estágio em Espanha. A primeira vaga, numa empresa em Madrid, é na área do marketing e, entre outros requisitos, pede-se um falante de português (nativo). A segunda oportunidade dirige-se a graduados em gestão ou direito, que falem inglês e espanhol (alemão ou francês será uma mais-valia). Neste caso, os candidatos devem ter no mínimo seis meses de experiência numa empresa, com provas de elevado desempenho. O estágio, de cinco/seis meses, é para começar o mais rápido possível.
Num caso e noutro, os eleitos irão receber 400 euros mensais de remuneração, muito abaixo do salário mínimo espanhol, que é de 753 euros. As propostas têm origem na Spain Internship, uma empresa sevilhana de recrutamento de estudantes, que diz trabalhar com 350 firmas em Espanha.
Será que todos os que estudam no ISEG têm capacidade financeira para realizar um estágio deste tipo? E faz sentido que uma universidade pública incentive os seus alunos a serem precário no estrangeiro?
Como dissemos há umas semanas, o Governo alterou a medida que regula os estágios profissionais. Hoje, o salário de um estagiário é pago em 80 ou 100 por cento pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional, o que permite às empresas recrutarem um trabalhador, durante um ano, por menos de 150 euros mensais. Mas mesmo com toda esta ajuda, há empresas que inventam o seu próprio tipo de “estágio”.
A Solférias lançou um anúncio onlineem que “oferece” um posto de trabalho, a tempo inteiro, com um vínculo de seis meses. Chamou-lhe estágio e decidiu remunerá-lo com uma «bolsa mensal de 250 euros»», quase metade do salário mínimo nacional. A operador turística diz ter urgência, logo, trabalho não deve faltar.
Se uma empresa admite, publica e antecipadamente, que vai infringir a lei, e nada acontece, fica claro que o sistema de oferta de emprego nacional não tem qualquer supervisão.