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Empregos para roubar dados e vender publicidade

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Um leitor chamou-nos à atenção para o endereço online http://emprego.ofertasdesonho.com. Este alegado site de oferta e procura de emprego, apresenta-se como a via para «encontrar o melhor part-time para 2018» e diz ter centenas de vagas de trabalho, além de múltiplos candidatos e empresas registadas.

Na página inicial, destacam-se quatro supostos cargos em oferta, seguidos de dois testemunhos de jovens trabalhadores. E há um formulário para candidatos a um emprego.

Depois da introdução de dados pessoais, é pedido ao candidato que faça uma chamada de valor acrescentado para validar o registo e que preencha um questionário com questões sobre um seguro de saúde, aulas no Wall Street English, crédito à habitação e agregado familiar.

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Respondidas as perguntas, surge uma sequência de cinco janelas pop-up com publicidade (no nosso caso, correspondentes a Acústica Médica, MetLife, Medicare, LeasePlan e revista Sábado).

No final do registo, o candidato recebe a indicação de que será contactado no futuro, mesmo sem revelar qualquer informação sobre o seu currículo profissional e/ou académico. E continua sem ter qualquer acesso às referidas centenas de ofertas de emprego.

Este trata-se de um evidente caso de fraude, detectável em poucos minutos. E é mais um exemplo de que o mundo dos anúncios de emprego necessita de regulação em Portugal e não pode ficar à mercê de interesses publicitários ocultos.


Nota: em 2015 falámos de um site semelhante, criado pela agência de marketing Content Ignition, que curiosamente também estava associado a publicidade à seguradora Medicare.

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No seu site, esta agência de marketing indica que a sua missão é «aumentar as oportunidades de vendas dos seus clientes», a quem garantem o «acesso a milhões de utilizadores online e perspectivas de negócio em todo o mundo». Ora, para atingir tal fim, a Content Ignition encontrou uma nova estratégia: aproveitar-se dos desempregados.

A agência criou recentemente o Mercado do Emprego, um falso portal de ofertas de trabalho desenvolvido apenas para roubar informação. Os utilizadores são desafiados a preencher os seus dados (pessoais e profissionais) para gerar um currículo que, alegadamente, será enviado «para os e-mails de 140.000 empresas de Portugal». A página indica que na última semana recebeu mais de 1000 anúncios de emprego mas é impossível vê-los (apenas existem quatro breves referências, que mudam cada vez que se actualiza a página). No Facebook, o portal é promovido com uma imagem do IEFP, acompanhada da seguinte descrição: «Se procura emprego chegou ao sitio certo! Garantimos 96% de empregabilidade».

Só que, depois de se registarem no site, as pessoas não recebem qualquer oportunidade de trabalho. Recebem, sim, e-mails e telefonemas de empresas que lhes tentam vender produtos e serviços, como por exemplo da seguradora Medicare (no rodapé da página, pode-se ver uma lista de patrocinadores).

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Por mais que as pessoas sejam alertadas para estes esquemas, o desemprego leva-as a arriscar. É inevitável.  E só uma legislação mais apertada pode combater os que se aproveitam da vulnerabilidade de quem procura emprego. Quem quer contratar deve ser obrigado, por lei, a identificar-se, pois os candidatos têm o direito de conhecer o destino dos seus dados