«O candidato irá experienciar o trabalho em vindima e apanha da azeitona.» A frase pode ser lida num anúncio publicado no passado dia 19 de junho pela Casa Agrícola ASL. Esta empresa de produção de vinho e espumante, sediada na Anadia, procura pessoas com «vontade de trabalhar e aprender». Em troca, promete oferecer um estágio não remunerado durante a vindima.
O slogan deste recrutador é: «A Casa Agrícola ASL facilita o sonho!».
Temos vindo a insistir muito na banalização dos estágios e a realidade nacional cada vez mais mostra que o problema será difícil de desenraizar. Outrora associado a profissões que requeriam muitos anos de estudo, os estágios chegaram finalmente ao campo.
Esta sociedade agrícola transmontana publicou há dias um anúncio em que procura estagiários para vindimar.É mais um triste exemplo de como “estágio”, hoje, significa apenas “oportunidade para ter trabalhadores jovens a baixo (ou nenhum) custo”.
Cada vez mais achamos que o caminho só pode ser o fim dos estágios. De todos, sem excepção. Quem quiser um trabalhador, jovem ou não, que pague pelo menos o salário mínimo.