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A Sociedade Central de Cervejas pertence ao Grupo Heineken e é a detentora de marcas como a Sagres ou a Luso. Fundada em 1934, tem muitos trabalhadores, lucros elevadas, tal com as despesas, e, sobretudo, muita experiência nos negócios. Apesar disso, neste momento, tem a decorrer um processo de recrutamento de um estagiário sem salário.

Licenciados ou mestres em design, os candidatos irão trabalhar em tempo integral durante meio ano, sempre de borla. Como bónus, o escolhido terá almoço no refeitório e a possibilidade de se deslocar nos transportes da empresa.

Durante os 81 anos de história da Central de Cervejas, alguma vez foi possível a uma empresa ter um trabalhador ao seu serviço, durante seis meses, e não lhe pagar?

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Na passada semana, este site de moda voltou a publicar uma oferta de emprego destinada a uma blogger/gestora de redes sociais e conteúdos digitais, «em regime de voluntariado». Indicam novamente que, «a médio prazo», a trabalhadora escolhida terá a possibilidade de «integração na equipa de administração do projecto». Ou seja, ao trabalhar de borla (até quando não se se sabe) candidata-se a sócia do projecto.

Entre outros requisitos, é pedido «espírito empreendedor e alguma noção de startups», «multi-tasking e carradas de proatividade+produtividade».  

O tipo de recrutamento (ilegal) usado pela LxModa repete-se desde 2013, como na altura referimos. O tom usado nos anúncios revela uma realidade preocupante.

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Esta agência de publicidade publicou um anúncio no site Carga de Trabalhos em que informa estar à procura de um director de arte/designer. O trabalhador escolhido será integrado num «estágio de adaptação e avaliação» não remunerado. Depois da avaliação, a empresa decide se o integra ou não.

A duração do período em que o profissional irá trabalhar gratuitamente não é especificada. A um candidato que levantou a questão, a BBZ respondeu que este falso estágio «poderá ter a duração completa que emana da lei nestes casos». E aí é que está o problema. Segundo as leis portuguesas (e, já agora, a Declaração Universal dos Direitos do Homem), quem quer trabalho tem de o pagar.

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Numa altura de grande confusão na colocação de docentes em todo o país, com muitas incertezas, críticas e protestos, um infantário anónimo (alegadamente de Guimarães) decidiu dirigir-se aos muitos professores que estão “livres”.

Além do anúncio da imagem, a instituição lançou outro outra oferta idêntica para a disciplina de espanhol. Em ambos os casos, os trabalhadores terão à sua espera uma turma de 15 alunos, entre os 3 e os 6 anos. Achamos que um infantário que não consegue pagar uma hora de trabalho semanal a um professor, não pode oferecer aulas de línguas aos seus alunos e deve reflectir sobre a sua actuação.

A falta de regulação continua a permitir que qualquer oferta de emprego se possa publicar em páginas como o OLX. Voltamos a este tema, já abordado no passado, para reforçar uma ideia: enquanto não forem criados mecanismos de monitorização dos anúncios, não vão terminar as ofertas de trabalho sem salário.

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Apresentamos agora um site de oferta de emprego especializado, com com anúncios ligados a diferentes áreas da comunicação. Como se confirma numa breve navegação, no Carga de Trabalhos não é obrigatória a identificação pública dos empregadores.

Na página, É frequente a divulgação de ofertas em que os autores anunciam que vão infringir a lei. Como em muitos casos não se conhece a entidade promotora, parece-nos legítimo especular sobre a origem dos anúncios. Vejamos um exemplo. 

No dia 19 de Janeiro, o site publicou um anúncio cheio de irregularidades, com o título “programa de estágio curricular administrativo”. O único contacto identificado é “estagiocurricular_porto@hotmail.com” e a oferta dirige-se a recém-licenciados. Mas se a licenciatura já terminou, em que currículo se enquadra o estágio?

O período de trabalho, com uma duração entre os quatro e os seis meses, não tem salário associado. Isto apesar dos estágios sem remuneração superiores a três meses serem ilegais (mesmo os de 90 dias têm de responder a uma série de normas para estarem dentro da legalidade).

O anúncio refere também que existe a possibilidade de, no final, a pessoa ser integrada noutro estágio, outro factor contra a lei. E termina dizendo que o estagiário #poderá ainda aceder a uma bolsa mensal no valor de €200".

A ausência de obrigatoriedade de identificação nas ofertas de trabalho tem este resultado: tudo é permitido, sem qualquer vergonha.