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Há cerca de um ano, falámos nos estágios promovidos por este órgão governamental. Na altura, divulgavam-se 57 vagas de trabalho temporário nos «serviços internos» do ministério e 112 vagas nos «serviços externos» (divididas entre embaixadas, consulados e organizações como a ONU ou a NATO, vínculos que duravam seis meses e não eram remunerados. As ofertas estão agora de volta.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) anunciou ter, para o trimestre do próximo Verão, 32/33 lugares a nível doméstico e 63 no estrangeiro (em países como China, Brasil, Alemanha ou Suécia). «As condições e acesso a estas vagas em nada diferem das habituais do Programa de Estágios Curriculares no MNE, não prevendo qualquer remuneração, comparticipação ou ajuda», pode ler-se no site ministerial. Três meses sem qualquer bolsa ou remuneração, seja qual for o local do estágio.

Voltamos a perguntar: está o MNE com falta de trabalhadores para suprir as suas necessidades ou quer apenas dar oportunidades novas ao jovens? Tratando-se da segunda hipótese, deve um Estado criar tais oportunidades apenas para aqueles que se podem dar ao luxo de trabalhar sem receber durante meses? Ou devem todos os jovens portugueses ser tratados como iguais pelos seus governantes?

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Em toda a comunicação social, tal como no seu site oficial, o governo (sobretudo através do Ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, Pedro Mota Soares), tem-se congratulado por «Portugal estar a conseguir gerar emprego». Mas muitas vozes têm invocado a manipulação dos números, que incluem trabalhadores precários recrutados através de programas estatais (pagos em grande parte pela Segurança Social): Emprego-Inserção, Estágio-Emprego, PEPACGarantia-Jovem, etc.

Não temos meios para investigar a fundo os números avançados mas, a julgar por uma observação rápida e pelos anúncios que recebemos, percebe-se que as condições dos empregos disponíveis se deterioram nos últimos anos. Aqui fica mais um exemplo, retirado do próprio portal do Estado.

Numa oferta publicada há dias, procura-se um professor «com capacidade de trabalhar em equipa, facilidade em apreender as dificuldades e solucioná-las, das áreas da matemática/ciências ou física (2.º e 3.º ciclos)». No mínimo, deve ser licenciado e, no máximo, doutorado. Espera-o um contrato de seis meses, a tempo inteiro. E qual é o salário? 505 euros ilíquidos, ou seja, o valor do novo salário mínimo.

É este o emprego que queremos gerar?