Posts com a tag 'ofertas de emprego'.
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Esta agência imobiliária, com sede no Parque das Nações, em Lisboa, inventou uma nova modalidade de estágio, à qual deu o nome de «progressivo». Inicialmente, o estagiário escolhido — proveniente das áreas de marketing, comunicação ou design — irá trabalhar gratuitamente durante um período entre três e seis meses. Depois, se a empresa assim entender, pode progredir para um estágio profissional via IEFP (que dura nove meses e é financiado pela Segurança Social). 

A proposta é ilegal. Um estágio profissional não é aceite pelo IEFP se tiver existido previamente uma relação laboral entre uma empresa e o jovem. Se o desconhece, a Capacity 2 Shine devia sabê-lo, tal como o Carga de Trabalhos, onde o anúncio foi publicado. Ao não impedir a sua publicação, o site torna-se conivente e patrocinador da ilegalidade. E é por isso que é urgente regulamentar de forma séria o mercado da oferta de emprego. Para que o “chico-espertismo” empregador tenha menos capacidade de brilhar.

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Desde que a crise internacional se alastrou a Portugal, os salários têm vindo a baixar de forma considerável (esta redução foi defendida pelo Fundo Monetário Internacional). Quem procura emprego facilmente se apercebe da tendência e aqui está mais um exemplo que a comprova.

Através do portal do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), uma farmácia de Ribeira de Pena procura um farmacêutico desempregado, com mestrado, que queira trabalhar por turnos a troco de um salário de 560 euros brutos. E este vencimento — destinado a um profissional especializado, que estudou (com aproveitamento) entre 17 e 19 anos e pagou milhares de euros de propinas — é exemplificativo do panorama actual das remunerações no país. 

Mas a perda de quem trabalha nem sempre é acompanhada do lado de quem emprega. Neste caso, a farmácia indica que irá recrutar o funcionário através do programa Estímulo, do IEFP.  E esta medida assistencialista garante que grande parte do salário é paga pelo Estado, com dinheiro que os contribuintes descontam para a Segurança Social.

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O Atlético Clube de Portugal é um histórico clube desportivo lisboeta, com mais de 70 anos. Além do futebol (está na 2.º Liga) tem equipas de basquetebol, futsal, natação e triatlo. Lançou esta semana um anúncio destinado a licenciados ou estudantes finalistas das áreas de design, multimédia e comunicação. A pessoa recrutada irá trabalhar de borla durante um período entre três meses e um ano. E o Atlético chama a este vínculo de trabalho, erradamente, “estágio”.  

Será que atletas, treinadores, médicos, administrativos, zeladores dos equipamentos desportivos ou qualquer outros funcionários do clube também trabalham de borla? E qual é o motivo que leva um empregador a pensar que o trabalho de um designer não deve ser pago?

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Em Portugal, há demasiados cursos superiores ligados às áreas do jornalismo e da comunicação. Todos os anos, fornadas de licenciados saem para o mercado de trabalho e tornam-se um alvo apetecível para quem quer explorar mão-de-obra barata ou gratuita. Já demos vários exemplos de abusos que o confirmam e apresentamos agora o caso do Futáfrica.

Este site sobre futebol africano, com actualização diária e milhares de seguidores, quer recrutar licenciados ou finalistas de Comunicação Social. Salário para o trabalho não há. Em resposta a uma candidatura, o seu responsável disse não receber um cêntimo com o projecto e não ter ainda possibilidade de pagar. Mas indicou que o trabalhador pode ganhar experiência, visibilidade, aprender novos conceitos e valorizar o currículo. Revelou ainda que tem sido contactado por «campeões que querem ser pagos e, depois, não escrevem como deve ser uma simples notícia com meia dúzia de linhas».

Como pode alguém esperar (ou exigir) qualidade num trabalho não remunerado? Contratar um trabalhador, tal como criar uma empresa ou investir capital, é um risco. Pode resultar bem ou mal. É um factor de concorrência empresarial. E quem quer empreender projectos tem de os correr. Da mesma forma que quem aceita um trabalho está, sempre, a arriscar. 

Terminamos com um conselho para os jovens profissionais de comunicação e jornalismo que estão desempregados e querem mostrar o seu trabalho: rejeitem estas ofertas e criem os vossos próprios projectos ou produzam conteúdos para entidades que defendam causas com as quais se identificam (sejam cívicas, humanitárias, ecológicas, políticas ou de outro tipo). Assim, o vosso currículo também será melhorado e estarão a contribuir para algo em que acreditam, em vez de estarem a gerar lucro e a correr riscos por alguém que não os quer partilhar convosco.

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O portal do Instituto de Emprego e Formação Profissional publicou esta semana um anúncio destinado a técnicos de secretariado/intérpretes da zona de Paços de Ferreira. Apesar de ter de ser muito eficiente em inglês, francês e espanhol, o trabalhador recrutado só irá receber o salário mínimo.

A 30 de Janeiro, o Instituto Nacional de Estatística divulgou dados preocupantes de um inquérito realizado em 2014 sobre rendimentos de 2013: 19,5% da população portuguesa estava em risco de pobreza e a taxa chegava aos 47,8% antes das transferências sociais (pensões, subsídio de desemprego, rendimento de inserção social, etc.). Se uns acharam os números desactualizados, outros dizem que foram ocultados milhares de pessoas.

Seja como for, este poliglota a trabalhar a troco do salário mínimo será mais um pobre para a estatística.

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A Embaixada do Canadá em Portugal, localizada na Avenida da Liberdade, em Lisboa, contactou há dias a Faculdade de Direito da Universidade Nova da Lisboa (FDNUL), para anunciar que está a “oferecer” um estágio não remunerado. Pedia que a vaga fosse divulgada através da plataforma de emprego da faculdade, pois podia interessar aos seus licenciados. Em vez de responder que em Portugal, tal como no Canadá, o trabalho sem salário é ilegal, a FDNUL enviou a oferta para os seus actuais e antigos alunos.

O procedimento revela que esta instituição de ensino público trata de forma desigual os seus licenciados, pois coloca de parte aqueles que têm de viver do seu trabalho. Nem todos têm poupanças ou suporte familiar que lhes permita trabalhar gratuitamente durante meses.

Por outro lado, é difícil entender o que leva uma das mais prestigiadas faculdades portuguesas a incitar os seus alunos a serem trabalhadores precários na embaixada de uma das nações mais ricas do mundo. Segundo dados do Fundo Monetário Internacional, o Canadá é o 11.º país com maior Produto Interno Bruto (nominal). 

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A Sociedade Central de Cervejas pertence ao Grupo Heineken e é a detentora de marcas como a Sagres ou a Luso. Fundada em 1934, tem muitos trabalhadores, lucros elevadas, tal com as despesas, e, sobretudo, muita experiência nos negócios. Apesar disso, neste momento, tem a decorrer um processo de recrutamento de um estagiário sem salário.

Licenciados ou mestres em design, os candidatos irão trabalhar em tempo integral durante meio ano, sempre de borla. Como bónus, o escolhido terá almoço no refeitório e a possibilidade de se deslocar nos transportes da empresa.

Durante os 81 anos de história da Central de Cervejas, alguma vez foi possível a uma empresa ter um trabalhador ao seu serviço, durante seis meses, e não lhe pagar?

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Através dos Precários Inflexíveis, tivemos conhecimento deste anúncio publicado pela Junta de Freguesia de Odivelas. Ficámos assim a saber que esta instituição pública vai usar o programa ocupacional Emprego-Inserção (do IEFP) para suprir uma necessidade permanente da cidade: a limpeza das ruas. 

Os desempregados convocados têm de aceitar a oferta, caso contrário deixam de receber o subsídio de desemprego. Em suma, o Estado obriga estas pessoas a cumprirem deveres de um trabalhador para manterem os direitos de um desempregado.

Estima-se que haja 70 mil portugueses a trabalhar nestas condições, em diversos organismos públicos. O número  ultrapassa os cerca de 50 mil funcionários públicos despedidos nos últimos dois anos. 

Os contratos Emprego-Inserção têm recebido diversas críticas e o próprio Provedor de Justiça já pediu a sua revisão urgente. Em Fevereiro de 2014, a RTP apresentou uma reportagem que ilustra bem esta vergonha.

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Num anúncio publicado há dias, esta consultora começa por indicar que, «pelo segundo ano consecutivo», está na lista Melhores Empresas para Trabalhar  da revista Exame. Em seguida, informa que procura um helpdesk que queira trabalhar sem receber.

Apesar de não remunerar o estagiário, a Bold International revela que se irá focar no desenvolvimento da sua carreira e dar-lhe oportunidade de participar e contribuir para «a valorização da marca Bold». E refere ainda que tem «uma preocupação constante com a motivação das equipas» e «honestidade e compromisso para com os colaboradores».

A revista Exame considerou a Bold Internacional a 22.ª melhor empresa para trabalhar em Portugal em 2014. 

O Carga de Trabalhos, fonte rica para as publicações desta plataforma, apresentou mais um anúncio que merece atenção. A primeira frase do texto mostra como, no mercado actual, os conceitos “trabalho” e “remuneração” já não são inseparáveis.

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Será que esta nova empresa vai chegar longe?