
Grande parte dos contratos de trabalho pressupõe um mês de experiência, período em que o trabalhador e a entidade patronal podem cessar o acordo se quiserem, sem qualquer indemnização. Ainda assim, muitas empresas criam períodos experimentais próprios.
A Reciclinfor anunciou recentemente que procura um licenciado ou um finalista de Engenharia Ambiental. Após o primeiro mês, em que o trabalhador não será remunerado, a empresa irá decidir se o integra nos quadros ou num novo estágio — desta vez profissional.
Contactada pelo Ganhem Vergonha, a Reciclinfor informa que o estágio é curricular, mas desconhecemos a existência de um curso de Engenharia que contenha estágios de um mês no seu currículo. «Não consideramos que estejamos a abusar de ninguém! — disse-nos uma representante da empresa. «Aliás já abusaram várias vezes de nós e por esse motivo agora temos este modus operandi», concluiu.
Achamos que está na altura dos jovens deixarem de gastar o tempo e o latim. Quem trabalha tem de exigir receber.

«A Gestão Global, revista produzida pela Livrecrónica S.A., diz na sua página online que “a comunicação é um poder que não deve ser menosprezado e não deve ser encarado como um mero de exercício de futilidade”. Falam também da “importância de criar relações de confiança."
Neste ponto, não poderia estar mais de acordo. Pena é não utilizarem este discurso e assumirem esta postura a nível interno, daí estar a utilizar esta plataforma para denunciar a estratégia "menos própria” da empresa.
Entrei para a revista Gestão Global em Abril deste ano. Estava desempregado e respondi a um anúncio que pedia jornalistas para uma revista de comunicação empresarial. Passei a fase de entrevistas e fui selecionado para uma “suposta formação” com mais três pessoas.
Apresentaram-nos as condições (salário mínimo mais subsídio de alimentação mais comissões) e comunicaram-nos os objectivos a cumprir no primeiro mês, que seria de avaliação e de experiência: contactar empresas e facturar o mínimo de três mil euros em contratos de publicidade. No final desse período, e perante os resultados obtidos, escolheriam o(s) melhor(es) candidato(s), com a ressalva de que esse primeiro mês de experiência seria pago.
A aventura começou e ao final da primeira semana já só restavam dois candidatos, ou porque a situação não lhes inspirou confiança, ou porque sentiram que as suas expetativas tinham sido defraudadas.
Ao longo desses trinta dias fiz unicamente trabalho comercial: contact center, marcação de reuniões e deslocações a potenciais clientes no meu próprio veículo. Aguentei até ao final do mês, aliás fui caso único, mas no fim decidi não continuar porque senti que não ia evoluir como profissional. Não tinha escrito uma única linha para a revista.
Até hoje, continuo sem receber o valor respetivo ao mês de Maio (15 dias de salário mais subsídio de alimentação mais despesas) e conheço outros casos de pessoas que colaboraram com a empresa e cujo pagamento está em falta. Telefonei, enviei mensagens, e-mails e nada.
Denuncio esta situação não pelo valor que me devem mas para que a situação não se repita no futuro com outras pessoas. Além disso, a empresa tem movimentações estranhas que colocam algumas dúvidas em relação à legalidade do seu funcionamento. Por exemplo, os colaboradores são dispensados nos dias de auditorias e de inspeções. Curioso, ou nem por isso…»
Tiago