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Depois de revelarmos dezenas de casos de estágios não remunerados, estágios curriculares sem protocolos com escolas, estágios “extra-curriculares” inventados por empresas, estágios para desempregados, estágios de acesso a ordens profissionais, estágios de Verão, entre outros, encontrámos uma nova modalidade: estágios que são o prémio de um concurso.

A ideia inovadora é da Randstad, a famosa multinacional que, de acordo com a Wikipedia, é «especializada em soluções de trabalho flexível e recursos humanos». A empresa uniu-se ao festival de música Nos Alive e lançou um desafio chamado Emprega o teu talento. Depois de enviarem os currículos, 45 candidatos serão seleccionados e receberão uma entrada para o festival. Mas, apesar do bilhete ser usado como chamariz, a música será outra.

Cada um dos 45 jovens terá de fazer um teste final, que irá realizar-se num stand da Randstad instalado no próprio recinto do Nos Alive. Segundo o regulamento do concurso, «no dia e à hora definidos pela Randstad, os finalistas deverão prestar provas perante um júri composto por elementos da Randstad e dos Parceiros», as empresas que procuram os estagiários. «As provas consistirão na realização de um pitch, relacionado com as competências técnicas ou comportamentais necessárias para a função em causa», explica o documento. 

Não é perceptível se o show será fechado ou aberto ao público do festival. Certo é que as intervenções dos 45 jovens serão registadas em vídeo, cujos direitos de exibição estão assegurados pela Randstad no regulamento. A empresa diz mesmo que «gostaria de publicitar o nome, a idade e as participações (vídeos) dos participantes nos respectivos websites e em outros canais de media para efeitos de publicidade».

Entre os finalistas, 15 serão seleccionados para estagiar nas empresas referidas na imagem. É dito que os estágios serão remunerados, mas na lista disponibilizada (que entretanto arquivámos), apenas algumas empresas referem o programa do IEFP. 

Em resumo: num evento ao estilo dos concursos televisivos de “caça de talentos”, a Randstad coloca estagiários nos seus clientes e ainda produz material de auto-promoção. 

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O Talkfest é um fórum sobre festivais de música portugueses. A sua 4.ª edição começou hoje, em Lisboa. Há uma semana, os seus responsáveis publicaram um anúncio no Net-Empregos a pedir um fotógrafo (com conhecimentos de vídeo) para cobrir o evento ao longo dos três dias, entre as 9 da manhã e a meia-noite.

Quanto à remuneração, a oferta indicava o seguinte: «pagamento pela qualidade transmitida/refeições ao longo do evento». A informação era dúbia e parecia dizer que o pagamento dependia do desempenho do trabalhador. Até que as dúvidas foram esclarecidas pelos recrutadores. Comunicaram a um candidato que gostariam de o ter como fotógrafo/videógrafo do Talkfest. Mas disseram que, por serem uma “associação sem fins lucrativos”, nesta fase apenas conseguiam pagar-lhe a alimentação no restaurante do evento. Referiram ainda que preferem recém-licenciados ou universitários que possam, assim, ganhar portefólio. Não será antes porque acham que eles aceitam trabalhar de borla?

A oferta foi publicada em nome da Legisser, uma empresa de gestão de imóveis e condomínios de Almada cuja morada é a mesma da APORFEST. Esta associação portuguesa de festivais de música está ligada ao Talkfest e apresenta uma série de serviços (serão gratuitos?).

No festival tudo se paga, seja assistir a conferências, concertos ou documentários. O passe geral custa 100 euros. E até se vendem t-shirts, livros e pendisks com conteúdos. Para o fotógrafo, não sobra nada.