
Há cerca de um mês, esta “Casa de Repouso Sénior” de Cascais publicou um anúncio online em que indica procurar duas pessoas para estágio (“um diurno e outro nocturno”). Afirmam também que o caminho dos estagiários começa com um mês de oferta e não de partilha: só depois passarão a ser remunerados.
Num portal sobre lares de idosos em Portugal, há uma descrição dos serviços prestados pela Partilhar e Caminhar: vigilância médica semanal, análises clínicas, encaminhamento médico, enfermagem e apoio social, segurança e televigilância. Devem os idosos estar entregues a cuidadores precários?

Logo na página inicial do seu site, a GCI, consultora de Public Engagement, refere-se a prémios que recebeu na área da Comunicação. Na secção “Clientes/Parceiros”, encontram-se nomes como Sonae, Parmalat, Metropolitano de Lisboa, Sumol, Motorola, Carris, BP e outras grandes marcas. Na descrição dos seus serviços, a empresa repete várias vezes as palavras “confiança” e “credibilidade”.
Em Agosto, a GCI repete um curioso programa de estágios, chamado From Ordinary to Awesome, que oferece a jovens com licenciaturas ou mestrados meio ano de trabalho sem salário. O líder da empresa, que até escreve sobre boas práticas de remuneração (de agências e não de pessoas) ou de caminhos para os jovens derrotarem a crise, fala no seu blogue pessoal sobre esta estratégia de recrutamento.
Tão, ou mais assustador que o próprio conceito, é o facto de o programa de estágios ser difundido pelas universidades nacionais, em parceria com a consultora. A denúncia que chegou ao Ganhem Vergonha foi enviada por uma pessoa que recebeu a oferta através do Gabinete de Inserção de Antigos Alunos da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa

No mercado de trabalho nacional, infelizmente, estes casos são ordinary (comuns). Para nós, não passam de um tipo de recrutamento ordinário.
Estágios não remunerados de seis meses são ilegais.
Ganhem vergonha!