Hoje, dia 27 de julho, o site A Enfermagem e as Leis divulgou uma oferta de trabalho para o Centro Hospitalar de São João, uma instituição do Serviço Nacional de Saúde. Os candidatos, obrigatoriamente licenciados em Cardiopneumologia e com experiência em Ecocardiografia, só têm a possibilidade de concorrer até amanhã, dia 28 de Julho.
O leitor que nos apresentou o caso disse suspeitar que o cargo já estaria destinado a alguém. Não há provas, pelo que é apenas uma especulação. Mas será que um recrutador que abre um concurso de apenas dois dias, em época alta de férias, quer mesmo contratar o melhor trabalhador possível? A dúvida parece-nos legítima.
Esta empresa – ligada ao ambiente, higiene, segurança e saúde – publicou uma oferta de emprego em que diz procurar um enfermeiro, em part-time, «para realização de exames complementares». A pessoa escolhida trabalhará de borla. Não sabemos se foi esse o motivo que levou a Ambiformed a apelidar o vínculo de “estágio”.
É mais um exemplo de uma empresa que anuncia publicamente que vai infringir as leis laborais. Além de mostrar que não há qualquer fiscalização dos anúncios, revela como o termo “estagiário” é, hoje, sinónimo de “trabalhador sem salário”.
Voltamos a falar de ofertas de trabalho precário para cuidadores de idosos, depois de há umas semanas já termos apresentado um caso. Desta vez, olhamos para o anúncio publicado pela S.O.S. Terceira Idade,no OLX.
Esta empresa gaiense procura um enfermeiro ou um auxiliar de geriatria, disponível para trabalhar em turnos de 12 horas. Se tiver o curso de enfermagem receberá 32 euros por turno, caso não tenha o serão apenas 26 euros, o que dá, respectivamente, 2.67 e 2.17 euros por hora.
Não sabemos qual o tipo de contrato em oferta. Mas sabemos que o salário mínimo (485 euros), por 40 horas de trabalho semanal, corresponde a 2,8 euros por hora.
Repetimos a pergunta: que tipo de auxílio podem receber os idosos se os cuidadores forem assim tão precários?