
As políticas de privacidade e segurança de dados pessoais são temas em grande discussão, actualmente, em vários países do Mundo, inclusive em muitos da União Europeia. Por cá, a discussão permanece à superfície, mesmo após o escândalo da lista VIP de contribuintes. Na área da oferta e procura de emprego, a informação pessoal dos candidatos é tratada como se fosse de domínio público.
Este mercado não tem regras apertadas, nem um controlo abrangente, o que permite que muitas empresas se aproveitem de anúncios de emprego para criar bases de dados. Não interessa se existe realmente um posto de trabalho em oferta: facilmente se consegue armazenar dados em massa e segmentá-los por profissão, idade, região do país, etc.
Como a sua actividade depende directamente dos dados de pessoas desempregadas ou interessadas em mudar de emprego, várias empresas de recursos humanos recorrem a este tipo de usurpação. Aqui fica um testemunho que recebemos há dias e que serve de exemplo:
«Gostaria de chamar a vossa atenção para uma situação que me tem intrigado e que pode ser material para o vosso site. Este anúncio para editor de conteúdos tem vindo a ser repetidamente publicado, sem que, aparentemente, a Manpower consiga preencher a vaga. Já respondi à oferta seis vezes, desde 22 de Fevereiro e 26 de março.
Embora reúna todas as condições para o cargo, nunca obtive resposta, excepto um e-mail automático, enviado sempre após cada candidatura, que me convida a inscrever-me no site da Manpower para dar seguimento à candidatura. Este registo implica a inserção de dados pessoais como o número do cartão do cidadão, o número de contribuinte, a morada e o número de telemóvel. Inscrevi-me as seis vezes, as mesmas que respondi ao anúncio, sem que o site desse erro.
Não conheço ninguém que tenha respondido ao anúncio e que tenha sido chamado para entrevista, apesar de se tratarem de candidatos da área do jornalismo, alguns deles ligados ao cinema, como é requerido. O anúncio continua a ser recolocado, uma e outra vez.»
José








