
Na madrugada de amanhã, quarta-feira, chega a Lisboa a sétima etapa da maior regata à volta do planeta e o quinto maior evento desportivo do mundo. Além da competição, a Volvo Ocean Race inclui uma programação paralela com actuações de mais de 50 populares nomes da música portuguesa, como Xutos & Pontapés, The Legendary Tiger Man ou Carminho. A corrida tem um investimento conjunto da Câmara Municipal de Lisboa, da Administração do Porto de Lisboa e da empresa responsável pelo evento, a Urban Wind, de quatro milhões de euros e espera-se a visita de meio milhão de pessoas. Tal dimensão implica uma máquina logística gigantesca, com inúmeras entidades e trabalhadores envolvidos para que tudo funcione. E, claro, “voluntários”.
A Marginal Voluntariado, uma empresa de «gestão de projectos de voluntariado em eventos», está ligada à angariação de 200 pessoas dispostas a trabalhar no evento durante duas semanas. Os seleccionados serão distribuídos por oito áreas: apoio a actividades e animações, credenciação, gabinete de imprensa, gestão de público, produção/logística, produção voluntariado, cobertura vídeo do voluntariado e cobertura fotográfica do voluntariado. E o que recebem em troca? Uma t-shirt, uma refeição ou lanche (consoante o horário), alternativas de transporte gratuito, seguro obrigatório, certificado de participação «e, obviamente, a possibilidade de se divertir imenso!». Remuneração ou bolsa não há. E todo o processo é feito em parceria com o Estado, através do Instituto Português do Desporto e Juventude que também divulga o pedido de voluntários.
Concordamos que a participação nestes projectos pode trazer benefícios pessoais, sociais e profissionais aos jovens. Mas todo esse ganho se manteria caso fossem remunerados. Qual o motivo que justifica que trabalhem gratuitamente para uma entidade privada com fins lucrativos? Basta ver os números da corrida e a sua lista de patrocinadores para perceber que não será certamente a falta de receitas.


