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Em Portugal, estão instituídos os concursos de logótipos, de cartazes, de folhetos ou de layouts de páginas de Internet. Empresas, escolas e universidades, associações privadas ou instituições públicas: qualquer marca serve para abrir uma competição de designers. Dezenas ou centenas de profissionais, normalmente jovens, entram no jogo e trabalham na esperança de serem o escolhido. No final, os promotores da competição têm muito por onde escolher mas apenas pagam honorários a um trabalhador.

A Câmara Municipal de Vila do Conde lançaou há dias um destes concursos, em colaboração com a Escola Superior de Estudos Industriais e Gestão. «O concurso visa o desenvolvimento da identidade e imagem de Vila do Conde e a sua aplicação aos vários meios de comunicação municipais e externos», diz-na página da autarquia. E o prémio? «Será atribuído um estágio profissional remunerado, com a duração de um ano, no Gabinete de Comunicação da Câmara Municipal de Vila do Conde a cada um dos elementos da equipa vencedora». Jovens a trabalhar de borla para tentarem ganhar um estágio, portanto.

Quando será que a Associação Nacional de Designers, a Associação Portuguesa de Designers, a Associação de Designers do Sul, os directores, professores e alunos dos cursos profissionais e superiores de design, os gabinetes e as agências, os freelancers e todos os outros envolvidos na área se vão juntar para defender a sua classe?

O trabalho de um designer requer tempo, empenho, talento, material e estudos. Ninguém nasce com conhecimentos de geometria ou a saber operar software de edição gráfica. É mais do que tempo de as (perversamente) chamadas “indústrias criativas” serem tratadas como as outras. Será que a opinião pública aceitaria concursos para engenheiros, mecânicos ou médicos, em que vários profissionais trabalhariam durante horas e, no final, só aquele com melhor desempenho seria pago?