Esta galeria lisboeta de arte contemporânea publicou um anúncio anónimo que, infelizmente, traduz bem o mercado de trabalho dos dias de hoje. Procuram um «Assistente de Produção/Administrativo», que trabalhe seis horas por dias de segunda a sábado e que, entre outras competências, domine várias ferramentas de edição web, fotografia e vídeo e tenha «experiência na área de gestão e produção cultural, atendimento ao público, vendas e/ou com interesse manifesto em desenvolver competências neste domínio».
E quais são as condições que esperam esta pessoa multifacetada? Inicialmente, será submetido a um «período experimental», com duração máxima de três meses, em que apenas vai receber uma bolsa de ajudas de custo, segundo apuramos com a doutora responsável pela oferta. Depois, o trabalhador avança para um «estágio profissional com duração de 9 a 12 meses» (actualmente, já não existem estágios de um ano). Este procedimento é ilegal, pois nenhum contrato de estágio pode ser assinado entre empregador e estagiário se antes já tiver existido um vínculo entre ambos.
Depois do estágio, a Perve diz que existe a «possibilidade de integração na empresa através de contratação a termo» e, após as três fazes, «caso exista manifesto interesse de ambas partes, será celebrado um contrato de trabalho sem termo».
O anúncio publicado não estava assinado pela galeria. Os motivos podem ser vários mas, se tivéssemos de dar um palpite, diríamos que foi por vergonha.
