Na próxima terça-feira, dia 21, às 15h00, a Associação dos Bolseiros de Investigação Científica, promove uma concentração de protesto em frente à sede da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), em Lisboa. Na passada semana, após a publicação dos resultados do concurso a bolsas individuais de doutoramento e pós-doutoramento, ouviram-se várias vozes de indignação em diferentes quadrantes da vida pública nacional.

Foram atribuídas 298 bolsas de doutoramento, o que representa 10,1 por cento das candidaturas (3 416). Em relação aos pós-doutoramentos, foram financiados 233 cientistas, entre 2 305 candidatos (8,7 por cento). Mesmo se somarmos os 431 bolseiros contemplados pelos novos programas doutorais da FCT, criados e geridos pelas universidades, o financiamento para este ano foi reduzido em quase 40 por cento (no caso dos “pós-docs”, chega a 65 por cento).

Gráfico do jornal “Público



Apesar desta realidade, Passos Coelho afirmou que este ano haveria mais bolsas, o que é mentira. O corte é incompreensível à luz do contexto nacional dos últimos dois anos, em que a inovação e a internacionalizarão têm sido alvo de apelos constantes do governo, tal como a imagem do “investigador excepcional”. Este ano, Portugal vai investir apenas 1,5 por cento do PIB em ciência, longe dos cerca de 2 por cento da média europeia, ou dos 3 por cento dos países nórdicos.

Ao mesmo tempo que a ciência portuguesa é distinguida com sucessivos prémios e bolsas internacionais, e prova ter algumas equipas de vanguarda, são muitos os cientistas que têm abandonado projectos em que trabalharam ao longo dos últimos anos. Para muitos, as únicas soluções são sair do país ou desistir da investigação. Como afirmou o investigador e professor universitário, Alexandre Quintanilha, é tempo da comunidade científica nacional se unir contra este golpe, para evitar a perda do investimento realizado nas últimas duas décadas e um retrocesso que pode levar muitos anos a recuperar.