«Eu na altura estava a fazer um programa tipo estágio profissional, por isso fui remunerada. Depois do estágio quiseram contratar-me, mas na realidade continuei lá a trabalhar de borla (não me fizeram contrato nenhum) e tive de me zangar para conseguir que me pagassem… Na minha altura não havia muitos estagiários, estávamos sim era num sítio sem condições nenhumas. É verdade que a pressão para trabalhar de dia e de noite mais fins de semana existe e é horrível. Eu fui forte o suficiente para recusar, mas era constantemente encarada de lado (até pelos próprios colegas) porque chegava à minha hora e simplesmente saía. Na altura puseram colegas meus, de áreas como Marketing e Design, a trabalhar na carpintaria, porque não conseguiam dar conta de tantas encomendas! E eles eram estagiários como eu. Eles punham as pessoas a fazer estágios IEFP, depois estágios INOVjovem, depois estágios do IAPMEI… E lá andavam as pessoas durante meses, de estágio em estágio, sem nunca serem contratadas, ou quando eram, era por um valor quase simbólico. Aos de marketing/vendas, para compensar os salários irrisórios, prometiam comissões que depois nunca eram pagas: ou arranjavam argumentos para não pagar (tipo “essa venda não foi feita por ti”, o que não era verdade) ou simplesmente “esqueciam-se”. Eu denunciei ao IEFP o comportamento deles, mas depois li isto e não me parece que tenha adiantado nada:
http://ressabiator.wordpress.com/2011/11/26/ha/
Isto tudo sem falar nas pressões e humilhações, que eram constantes. O Sr. Amândio Pereira, de cada vez que pedia para fazermos qualquer coisa, já tinha a sua própria ideia de como essa tarefa devia ser feita. Então, quando apresentávamos o trabalho, como nunca era exactamente igual ao que ele tinha idealizado, eramos completamente humilhados. Ele tentava mesmo dar cabo da nossa auto-estima e chegou a dizer “esta equipa é toda burra”… O que me valeu foi que nessa altura já estava a contar os dias para sair dali.»
Ana