«A empresa funciona à base de estagiários não remunerados. Todos os meses, ou de dois em dois meses, recrutam pessoas pelo Carga de Trabalhos com a promessa de estágios profissionais. Seleccionam alguns estagiários (por vezes entravam 20 de uma vez) e aí começa a fase de “experiência”. Durante três meses trabalha-se entre 10 e 12 horas por dia, quando não são mais, e quem não aparece aos Sábados para fazer mais umas horas extra deixa de ser considerado para estágio profissional.
Este trabalho é feito em computadores pessoais sem licenças oficiais de programas (é uma empresa de design pelo que 99 por cento das pessoas trabalham com ferramentas que necessitam de licenças).
Este tempo à experiência varia… Vários dos meus colegas não receberam nos primeiros 5/6 meses.
Inicialmente põem-nos em contacto com o CEO (Amândio Pereira) via skype (ele passa a maior parte do ano nos Estados Unidos). As primeiras conversas são motivantes. Ele incentiva-nos a vestir a camisola pela empresa e a dar o nosso máximo para conseguirmos uma posição lá dentro. Essas conversas passam de motivantes a intimidadoras no espaço de semanas. São-nos atribuídos objectivos (inatingíveis) mensalmente e quando começa a haver atrasos o nível da conversa pode descer MUITO baixo. Eu sou designer gráfica e numa situação chegaram-me a dizer que não receberia ordenado se um catálogo não estivesse pronto para imprimir nesse dia ou no dia a seguir. A pressão psicológica é constante.»
Inês
